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segunda-feira, 27 de março de 2017
sábado, 27 de julho de 2013
Dissertação sobre o canto da Liberdade…
É rasante o teu voo
quando desces das íngremes alturas
e mergulhas na desordem do universo dos homens,
na tua ânsia aflita de desatar os nós górdios
que amarram os nossos sonhos.
Nem a tua voz se cala,
nem a tua vontade esmorece
nem os teus olhos deixam de brilhar
quando a cegueira paralisa
aqueles que não querem acreditar
que a roda da História
não se imobiliza no tempo.
Para ti, a luta começa no exato momento
onde os outros a abandonaram,
por descrença ou por cansaço,
outros, até por traição,
e tu vais buscar o grito da La Pasionaria
(que é também o teu)
quando empunhas a espada demolidora
e desfraldas as bandeiras
que cantam a nossa liberdade.
É que tu também aprendeste a dizer não!...
Alexandre de Castro
Ourém, Julho de 2012 retirado do Alpendre da Lua
sábado, 15 de junho de 2013
Última cena de Les uns et les autres (1980) - le Bolero de Ravel
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A todas as minhas amigas e a todos os meus amigos que fazem da Arte um Destino:Se a Arte derivou da racionalidade do Homem, sem a qual não teria sido possível a sua existência e evolução, também é verdade que a Arte serviu para humanizar a racionalidade, evitando a sua robotização. O Homem humanizou-se através da Arte, no sentido em que ela lhe moldou o sentido do Belo e do Sublime, do Sonho e da Sublimação, conceitos que mais tarde a Filosofia racionalizou, e lhe permitiu ultrapassar a fronteira do Real. Ao contrário da Política, da Economia, das Religiões e da Guerra, é a Arte que une os homens e fomenta a Paz. E é por isso que nos maravilhamos perante uma obra de Arte. E é o que acontece ao assistirmos a esta dança, concebida sobre o Bolero de Ravel, em que as duas manifestações artísticas se harmonizam, através das suas linguagens próprias, num equilíbrio estético sublime e grandioso, que desperta intensas emoções.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Dissertação sobre as declinações verbais…

Hoje apeteceu-me acender
todas as luzes do firmamento
para que a noite não escurecesse
e os teus passos fossem mais seguros
fechá-las-ei quando regressares
às tuas ausências
nada será como dantes
quando escrevias os poemas
com as minhas mãos
e ainda não sabias os nomes das flores
que eu te dava
não sei se ainda te lembras do jogo cruzado
que te ensinei da última vez.
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
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Carlos Cardoso
terça-feira, 19 de junho de 2012
Dissertação sobre a mudança dos horários…

Salvador Dali
Mudaste os teus horários
os teus tempos já não estão
guardados no armário seguro
e aberto
no canto do teu quarto
confundo-me quando não te encontro
no lugar
que agora só posso adivinhar
e tudo fica mais longínquo
e incerto
como se já não existisses
no meu espaço.
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Paz...

Hoje
quero
deitar a minha cabeça
no teu colo
peço que
a afagues
com as tuas mãos
divinas.
Ensina-me
uma oração
que cure as dores da alma
e dá-me
somente um pouco
da tua paz
que não a quero toda.
Maria José Meireles
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Poemas para quem gosta
sábado, 19 de novembro de 2011
Cântico celestial...
Salvador Dali
Encontro-te
na fronteira
entre o céu e o inferno
onde me esperas
fora do tempo
em segredo
e em silêncio.
Maria José Meireles
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Poema
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Dissertação sobre o poema “Puma Bartolomeu Júpiter” *

O poema transcende as leis da Física, despojando-as da sua
rigorosa exactidão.
O átomo de carbono tem quatro valências.
Uma para o amor, que se dissolve no sexo, como muito bem
demonstrou Puma Bartolomeu Júpiter, perante uma assembleia,
interessada em saber coisas inúteis.
Outra é a do sexo, que se dissolve no corpo, postulado que
carece de demonstração.
A terceira é a do corpo, que se dissolve na morte, a única
que, pela sua volúvel imprevisibilidade, escapa à
compreensão dos cientistas, assim como não foi possível
encontrar a fórmula quântica para calcular a dimensão do prazer,
ficando esta grandeza incluída nas coisas incomensuráveis,
o que a remete para uma indecifrável e infinita dimensão cósmica.
A última, a quarta, é o próprio poema, que na sua intangibilidade,
se dissolve a si próprio, para que a Física não entre em transgressão
com a eternidade da matéria.
Alexandre de Castro
*Poema de André Domingues
retirado do Alpendre da Lua
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Dissertação sobre a metáfora das galáxias…

No dia em que me disseste
que o teu sangue tinha cardos
as minhas mãos tremeram
ao segurar o teu olhar
vidrado pelos espelhos
uma fractura rasgou o medo
que me devorava as entranhas
e acabei por ligar o silêncio
adiei a viagem sem regresso
já marcada sem o teu consentimento
porque tu já esgotaras todos os infinitos
macerando o corpo em convulsões contínuas
como se a vida estivesse à beira do abismo
onde querias cair comigo
peguei novamente no teu olhar
que se colou a mim
e alimentei a tua fúria de viver
entendeste finalmente a metáfora das galáxias
quando escreveste o teu poema redentor
e limpaste as impressões digitais do teu passado.
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
sábado, 9 de julho de 2011
Fogo de Pandora...

Dou-me de graça
mas não me vendo por preço nenhum.
Já me confiei ao silêncio
e sobrevivi.
Se me tratares bem
poderás destruir-me,
mas se me tratares mal
saberei bem defender-me.
Sou mulher, sabes,
tenho séculos de maus tratos nas veias
e ainda não morri.
Dei-te a minha alma
mas não o meu corpo.
Ainda é cedo para cortar a noite às fatias.
Agora somos muitos na família
mas ainda poucos para tanta noite.
Eu sei esperar.
Quem tem tampa é a caixa
e não Pandora
(e Pandora não é uma caixa).
Maria José Meireles
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Poemas para quem gosta
domingo, 29 de maio de 2011
Dissertação sobre as palavras esquecidas…
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Dissertação sobre uma boneca insuflável…

Quando te comprei
parecias uma boneca insuflável
que cabias no meu bolso.
Fazias tudo o que eu pedisse
e nunca querias nada em troca
a não ser que eu não ultrapassasse
os limites das tuas fantasias.
Agora, arvoras um ar de senhora
e começas a exigir
que te trate por baronesa
e já não te contentas
em fazer compras avulsas nos saldos
nas lojas da fancaria
nem com as viagens low cost, pagas a crédito,
às Caraíbas, onde uma vez tropeçaste com a porteira,
que mal cabia no seu biquíni à florinhas,
e o que te irrita é teres de te cruzar com ela
nas escadas, todos os dias,
antes de ires para o trabalho que inventaste
para alimentar o delírio das tuas grandezas.
Sonhas com uma piscina aquecida
na exiguidade das nossas duas assoalhadas,
viradas para os estendais da roupa das traseiras
e pedes-me para conquistar o céu
onde não há limites para todos os teus caprichos.
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
sábado, 11 de dezembro de 2010
Dissertação sobre o tempo…
domingo, 5 de dezembro de 2010
Dissertação sobre o meu nascimento…

Quando eu nasci
no mês de Maio
a vinte e cinco
do ano de quarenta e quatro
minha mãe disse
que o sol dera duas voltas
e a lua andava aluada
tal como a cadela
que passou o dia a ganir
nessa noite os astros fizeram greve
e até uma senhora
vestida de branco aterrou
numa figueira, lá no quintal,
julgando ser uma azinheira
alguém a viu estatelada no chão
a praguejar contra a triste sorte
e a rezar orações estranhas
então a parteira, depois do susto,
virou-me de cabeça para baixo
para eu começar a chorar
e foi nesse momento que falei,
pela primeira e única vez,
a dizer que não queria ser santo,
guerreiro, nem banqueiro,
para não conspurcar o mundo
minha mãe julgou que eu
não iria sobreviver…
Alexandre de Castro
Lisboa, Maio de 2010
retirado do Alpendre da Lua
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Dissertação sobre o entardecer…
Donzelas à beira mar -Dacha
À Dacha,
pelo seu amor à pintura
Todas as linhas
procuram o ponto de fuga
ou será que o horizonte
se diluiu no pôr-do-sol
quando pintavas o mar?
Não sei se as tuas mãos tremeram
e o teu corpo estremeceu de prazer
quando a luz
varreu a tela
e afogou o meu olhar.
E é naquele rio de águas brandas
e naquele mar de prata e de absinto
que eu gostava de me banhar
e responder ao apelo daqueles caminhos
que as tintas avermelharam
ao entardecer…
Alexandre de Castro
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A Dacha (Dália Faceira) é uma notável pintora, com uma obra assinalável no seu vasto currículo, e que eu já tive a oportunidade de abordar criticamente no Jornal do Douro, quando de uma exposição dos Antigos Alunos do Liceu de Lamego. Pediu-me para escrever um poema para o incluir no livro com as suas pinturas, a publicar brevemente. É uma honra poder dedicar-lho.
retirado do Alpendre da Lua
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Dissertação sobre um relógio sem ponteiros…
domingo, 8 de agosto de 2010
Dissertação sobre a solidão…

O mais difícil de imaginar
é cortar as amarras do navio
quando o cais está vazio
sem lenços brancos na hora da despedida
já só tenho as carícias do vento
e o balanço incerto das ondas
contra o casco
até tu faltaste neste momento
quando enfrento a largura deste mar de desassossego
mas sei que alguém me espera num outro porto
para me salvar.
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Dissertação sobre o anúncio do crepúsculo…

Voltas a colocar o teu pé
nas marcas que deixei no meu caminho
ainda temos as flores
de todos os jardins que visitámos
revolvemos dos sótãos
as teias das aranhas
e os papéis velhos esquecidos nos baús
o tempo escureceu os crepúsculos
antes da lua aparecer
mas as mãos não esqueceram gestos antigos
nem os corpos negaram os seus apelos
as palavras ainda são as mesmas
e tu segredas-me que já chegou a Primavera
só porque hoje vens com o vestido de que mais gosto…
Alexandre de Castro
retirado do Alpendre da Lua
domingo, 25 de julho de 2010
Poema para a Lídia…
À Eluana Englaro…

Morreste hoje ao anoitecer
porque nós não queríamos
que vivesses morta ou moribunda
durante uma vida inteira
aqueles que te pediam
o martírio da tortura
não sabiam o que diziam
quando nos ameaçaram
com a culpa
e com a ira divina
eles ainda não entenderam
que as máquinas, os tubos
e as amarras contra a morte
são apenas uma fronteira
onde deixamos de sorrir
e tu já não sorrias
e também não precisavas
de pedir o passaporte.
Alexandre de Castro
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Retirado do abnoxio
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