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terça-feira, 24 de novembro de 2015
sábado, 20 de junho de 2015
domingo, 10 de maio de 2015
Descalça vai para a fonte...
Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura:
Vai formosa e não segura.
Se tivesse umas chinelas
iria melhor...mas não:
co dinheiro das chinelas
compra um pouco mais de pão.
Virá o dia em que os pés
não sintam a terra dura?
Leonor sonha de mais:
vai formosa e não segura.
Formosa! Não vale a pena
ter nos olhos uma aurora
quando na vida - que vida!
o sol já se foi embora.
Se os filhos se alimentassem
com a sua formosura...
Leonor pensa de mais
vai formosa e não segura.
Há verduras pelos prados,
há verduras no caminho;
no olmo ao pé da fonte
canta livre um passarinho,
Mas ela não canta, não,
que a voz perdeu a doçura.
Leonor sofre demais:
vai formosa e não segura.
Porque sofre? Nunca soube
nem saberá a razão.
Vai encher a talha de água,
Só não enche o coração.
Virá um dia...virá...
Os olhos voam na altura
Leonor não anda: sonha.
Vai formosa e não segura.
Antonio Cabral, Poemas Durienses
Leonor pela verdura:
Vai formosa e não segura.
Se tivesse umas chinelas
iria melhor...mas não:
co dinheiro das chinelas
compra um pouco mais de pão.
Virá o dia em que os pés
não sintam a terra dura?
Leonor sonha de mais:
vai formosa e não segura.
Formosa! Não vale a pena
ter nos olhos uma aurora
quando na vida - que vida!
o sol já se foi embora.
Se os filhos se alimentassem
com a sua formosura...
Leonor pensa de mais
vai formosa e não segura.
Há verduras pelos prados,
há verduras no caminho;
no olmo ao pé da fonte
canta livre um passarinho,
Mas ela não canta, não,
que a voz perdeu a doçura.
Leonor sofre demais:
vai formosa e não segura.
Porque sofre? Nunca soube
nem saberá a razão.
Vai encher a talha de água,
Só não enche o coração.
Virá um dia...virá...
Os olhos voam na altura
Leonor não anda: sonha.
Vai formosa e não segura.
Antonio Cabral, Poemas Durienses
sábado, 25 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
terça-feira, 12 de agosto de 2014
O tempo que foge
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que
ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente,
mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
Ricardo Gondim
sábado, 28 de junho de 2014
Aprendi
"Aprendi com o Mestre dos Mestres que a arte de pensar é o tesouro dos sábios. Aprendi um pouco mais a pensar antes de reagir, a expor - e não impor - minhas idéias e a entender que cada pessoa é um ser único no palco da existência.
Aprendi com o Mestre da Sensibilidade a navegar nas águas da emoção, a não ter medo da dor, a procurar um profundo significado para a vida e a perceber que nas coisas mais simples e anônimas se escondem os segredos da felicidade.
Aprendi com o Mestre da Vida que viver é uma experiência única, belíssima, mas brevíssima. E, por saber que a vida passa tão rápido, sinto necessidade de compreender minhas limitações e aproveitar cada lágrima, sorriso, sucesso e fracasso como uma oportunidade preciosa de crescer.
Aprendi com o Mestre do Amor que a vida sem amor é um livro sem letras, uma primavera sem flores, uma pintura sem cores. Aprendi que o amor acalma a emoção, tranquiliza o pensamento, incendeia a motivação, rompe obstáculos intransponíveis e faz da vida uma agradável aventura, sem tédio, angústia ou solidão. Por tudo isso Jesus Cristo se tornou, para mim, um Mestre Inesquecível".
Augusto Cury
Aprendi com o Mestre da Sensibilidade a navegar nas águas da emoção, a não ter medo da dor, a procurar um profundo significado para a vida e a perceber que nas coisas mais simples e anônimas se escondem os segredos da felicidade.
Aprendi com o Mestre da Vida que viver é uma experiência única, belíssima, mas brevíssima. E, por saber que a vida passa tão rápido, sinto necessidade de compreender minhas limitações e aproveitar cada lágrima, sorriso, sucesso e fracasso como uma oportunidade preciosa de crescer.
Aprendi com o Mestre do Amor que a vida sem amor é um livro sem letras, uma primavera sem flores, uma pintura sem cores. Aprendi que o amor acalma a emoção, tranquiliza o pensamento, incendeia a motivação, rompe obstáculos intransponíveis e faz da vida uma agradável aventura, sem tédio, angústia ou solidão. Por tudo isso Jesus Cristo se tornou, para mim, um Mestre Inesquecível".
Augusto Cury
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Hoje eu li uma história sobre um antropólogo, que propôs um jogo para as crianças numa tribo Africana. Ele colocou uma cesta cheia de frutas perto de uma árvore e disse às crianças que quem chegasse lá primeiro ganharia os frutos doces. Quando ele lhes disse para correrem, todos eles pegaram as mãos uns dos outros e correram juntos. Em seguida, sentaram-se juntos desfrutando de seus deleites. Então ele perguntou porque tinham eles corrido daquela forma, quando um poderia ter conseguido ter todos os frutos para si mesmo. Eles disseram: UBUNTU, como pode um de nós ficar feliz se todos os outros estão tristes?UBUNTU na cultura Xhosa quer dizer: "Eu sou porque nós somos"
domingo, 13 de abril de 2014
domingo, 30 de março de 2014
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
sábado, 16 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
2Kapa Sindrome
O jornalista e detective de informação científica Dois
Kapa, português, em serviço na Comunidade Europeia em Bruxelas, solicitou-me
que enviasse esta informação ao maior número de portugueses a viver em
Portugal.
As informações são deveras dramáticas e muito
perigosas para a saúde da maioria dos portugueses. É importante saber o que se
está a passar em Portugal, em matéria de saúde e governação, nos tempos que
correm (na direcção do cemitério mais próximo).
08/11/2013 - 12:32
O especialista em saúde pública Constantino
Sakellarides disse esta sexta-feira, que o ministro da Saúde Paulo Macedo,
corre o risco de sofrer de síndrome de Estocolmo (achar graça aos carcereiros),
e defendeu que este deve recusar na União Europeia mais cortes no sector,
avança a agência Lusa, citada pelo SAPO Saúde.
Durante a sua intervenção no VI Fórum Nacional sobre a
Gestão do Medicamento em Meio Hospitalar “Acesso à Inovação”, Constantino
Sakellarides denunciou aquilo que classificou de “teatro sistémico” e que
consiste nos condicionantes que levam os governos, a minimizar os sinais da
crise na saúde.
O também presidente da Associação Europeia de Saúde
Pública (AESP), ao debruçar-se sobre o que resultou da crise e do ajustamento
financeiro na área da saúde, concluiu que “o sistema politico não aprendeu
nada”.
Constantino Sakellarides enumerou várias evidências
que apontam para efeitos práticos da crise na saúde dos portugueses, as quais
lamentou que não sejam interpretados como tal pelos governantes.
A este propósito, enumerou um inquérito numa unidade
local de saúde, o qual identificou metade dos profissionais com a percepção de
que os problemas do foro mental tinham aumentado entre 2011 e 2012.
De uma forma mais precisa, Sakellarides deu conta de
registos médicos que apontavam para o aumento dos casos de depressão (mais 30
por cento) e de tentativas de suicídio (mais 35 a 50 por cento).
“Aqui a evidência ainda é maior, porque agora já não é
só a percepção dos profissionais, mas sim registos das unidades de saúde”,
disse. Outro dado apontado refere-se a uma Unidade de Saúde Familiar (USF) que
terá identificado nos seus utentes 16,5 por cento que deixaram de ir a uma
consulta, fazer um tratamento ou tomar medicamentos por razões económicas.
Estas terão sido as mesmas razões para 11,9 por cento
dos inquiridos desta USF terem deixado de fazer uma das refeições que
anteriormente fazia.
Constantino Sakellarides considera que existem outros
sinais, como as recaídas no consumo de heroína que triplicaram entre 2010 e
2012, que não deviam ser ignorados pelo governo e, a esse propósito,
questionou: “Uma pessoa tão inteligente como Paulo Macedo não sabe isso?”.
“Estamos condicionados por um teatro de regras
rigorosas”, disse, lamentando a dificuldade no acesso a informação –
determinante para a tomada acertada de decisões – espelhada num despacho que
“restringe o acesso à informação” (nº 9635/2013).
Para o antigo director-geral da Saúde, o ministro da
Saúde português tem “a obrigação moral de, junto dos seus colegas ministros da
União Europeia, apresentar um relatório sobre os efeitos da crise na saúde e
dizer que não podemos ter cortes mais na saúde.
“Só assim poderá tentar ultrapassar o grande teatro”,
disse, concluindo que, se não o fizer, Paulo
Macedo “corre o grave risco de sofrer o síndrome de Estocolmo: achar graça aos
seus carcereiros”.
2Kapa
(informação do detective de jornalismo científico Dois Kapa, em serviço na Comunidade Europeia, em Bruxelas.)
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
A Revolução da Bondade
Acho que a grande revolução, e o livro «Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem por este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática acção perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes.
José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995"
José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995"
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