Ela era uma menina muito traquina mas muito boa menina e havia uma fada malvada que queria controlar as traquinices dessa menina.
Ora a fada malvada teve a malvada ideia de dizer à boa menina que ela era má e que, se continuasse a fazer traquinices, acabaria sozinha.
A menina traquina, ingenuamente, informou a fada malvada que preferia ficar só do que ficar mal acompanhada.
A fada malvada aproveitou essa informação preciosa e, a cada traquinice, desejava que a boa menina fosse cercada de más companhias.
E assim vivia a menina, sempre traquina, sempre ingénua e cada vez mais cercada por más companhias até que um dia ganhou medo da solidão.
Com medo, a menina já quase nem era traquina e já quase nem era uma boa menina.
Foi então que a menina encontrou uma fada madrinha e a fada madrinha percebeu que a menina era muito traquina e muito boa menina mas que tinha medo da solidão.
Ora a fada madrinha, que era uma solitária, mostrou à menina que a solidão nada tem de medonho e que até pode ser muito agradável. Ensinou-lhe também que era muito importante saber estar só. Ela dizia que, quem não sabe estar só, não pode ser uma boa companhia.
Assim, a menina começou por treinar a solidão aos poucos até perder o medo de estar só.
Depois, descobriu o prazer da comunhão com a natureza que só se pode experimentar com alguma solidão.
Descobriu também que sozinha conseguia ouvir música e ler com uma concentração maior e que a sua traquinice ganhava asas em formas criativas de pensar...
E a menina aprendeu a arte de ser feliz, como no poema de Cecília Meireles, aprendeu a olhar e a ver as pequenas felicidades certas.
Maria José Meireles
Sem comentários:
Enviar um comentário