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sexta-feira, 11 de junho de 2021

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Soneto presente

Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que fôr o meu

José Carlos Ary dos Santos

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Conselho

VAN GOGH, Cesto e Seis Maçãs (1887) 



Sê paciente; 

espera que a palavra amadureça

e se desprenda como um fruto

ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Miniatura

Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.

É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.

Miguel Torga
Diário VIII , 1957

Adriana Calcanhotto - Devolva-Me

terça-feira, 21 de julho de 2020

O poema



O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu 
E passarei sozinha 
Entre as mãos de quem lê 

O poema alguém o dirá 
Às searas 

Sua passagem se confundirá 
Com o rumor do mar com o passar do vento  

O poema habitará 
O espaço mais concreto e mais atento 

No ar claro nas tardes transparentes 
Suas sílabas redondas 

(Ó antigas ó longas 
Eternas tardes lisas)  

Mesmo que eu morra o poema encontrará 
Uma praia onde quebrar as suas ondas 

E entre quatro paredes densas 
De funda e devorada solidão 
Alguém seu próprio ser confundirá 
Com o poema no tempo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, 
Livro Sexto

quinta-feira, 25 de julho de 2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

domingo, 14 de julho de 2019

Pensamento do dia...

Que Deus nos tire a cegueira para que cada um de nós possa experimentar um pouquinho de céu já nesta terra.

Belinha Miranda