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domingo, 18 de dezembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Se eu te pudesse dizer
Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei.
Seu eu te pudesse dizer
o quanto te amo
Te daria grande prazer
e viverias nesse encanto.
Mas amar é meu segredo
O que nunca te direi
Pois sinto muito medo
E sei que te perderei.
Se soubesse compreender
O tamanho desse amor
Tu terias que entender
Que so quero seu calor.
Assim sigo meu caminhar
Te amando sem lei
E sempre a me perguntar
Aquilo que nem eu sei.
Fernando Pessoa
Etiquetas:
César Ramos,
Fernando Pessoa
A CRUZ A ROSA E A ROSACRUZ
Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.
Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada
E vai como os santos vão.
Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.
E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.
Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor.
« FERNANDO PESSOA - POETA INICIADO E ROSACRUZ »
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.
Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada
E vai como os santos vão.
Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.
E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.
Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor.
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sábado, 22 de outubro de 2011
A BÊNÇÃO DA LOCOMOTIVA

A obra está completa. A máquina flameja
desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas antes de partir, mandam chamar a Igreja,
que é preciso que um bispo a venha batizar.
Como ela é com certeza o fruto de Caim,
a filha da razão, da independência humana,
botem-lhe na fornalha uns trechos de latim,
e convertam-na à fé católica romana.
Devem nela existir diabólicos pecados,
porque é feita de cobre e ferro, e estes metais
saiem da natureza, ímpios, excomungados,
como saímos nós dos ventres maternais!
Vamos, esconjurai-lhe o demo que ela encerra,
extraí a heresia do aço lampejante!
Ela acaba de vir das forjas d'Inglaterra,
e há de ser com certeza um pouco protestante.
Para que o monstro corra em férvido galope,
como um sonho febril, num doido turbilhão,
além do maquinista é necessário o hissope
e muita teologia... além d'algum carvão.
Atirem-lhe uma hóstia à boca famulenta,
preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
e lancem na caldeira um jarro d'água benta,
que com água do céu talvez não possa andar.
in "A Velhice do Padre Eterno", de Guerra Junqueiro - 1885
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César Ramos,
Guerra Junqueiro
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
As nossas mãos podem muitas coisas
As nossas mãos podem muitas coisas: - podem oferecer apoio no momento certo; - podem estender-se para consolar; - podem segurar firme para amparar. O que mais podem as nossas mãos? As mãos podem saudar e sinalizar. As mãos podem envolver e dar carinho. As mãos podem estabelecer limites, escrever e abençoar... As nossas mãos podem agasalhar e curar feridas... Para o mudo a mão é o verbo. Para o idoso é a segurança. Para uma pessoa irada a mão erguida é ameaça. Para o pedinte a mão estendida é suplica. Para quem ama, a mão silenciosa, que acolhe a do ser amado, é felicidade. Para quem chora, a mão alheia é conforto. Existem mãos que agarram, perturbadas. Mas existem também mãos que tocam, suaves. Existem mãos que ferem. Mas existem mãos que acariciam. Existem mãos que amaldiçoam. Porém, felizmente existem mãos que abençoam. Existem mãos que destroem. Mas existem também mãos que edificam, trabalham e realizam. Recebemos as nossas mãos para serem ferramentas abençoadas, para que sirvam na construção de um mundo melhor para todos. Usemos as nossas mãos, sempre, para edificar, elevar, apoiar e trabalhar, na esperança por dias melhores para o nosso mundo.
César Ramos
César Ramos
sexta-feira, 20 de maio de 2011
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