Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade,
Os Sulcos da Sede
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quinta-feira, 23 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
É UMA CASA TÃO ESPAÇOSA A AUSÊNCIA
Fazia-se uma certa gala
em dizer que na guerra o medo andava às moscas
Ora aprendemos que no mato
qualquer buraco dava a medida do cu
Uma noite foi a vez
do Mata-a-rir dependurar o ouvido
na picada: fodeu-se
Daí em diante, bastava
uma costureirinha a pregar botões
Corriam às cegas, e depronto a cornadura
pelo metropolitano dentro sem ver
quem estava
Depois saíam
o fox-trote da véspera a pingar
da beiçola
E voltavam à noite:
o rei de copas denovo sentado entre os caixotes
Vergílio Alberto Vieira,
A Paixão das Armas
em dizer que na guerra o medo andava às moscas
Ora aprendemos que no mato
qualquer buraco dava a medida do cu
Uma noite foi a vez
do Mata-a-rir dependurar o ouvido
na picada: fodeu-se
Daí em diante, bastava
uma costureirinha a pregar botões
Corriam às cegas, e depronto a cornadura
pelo metropolitano dentro sem ver
quem estava
Depois saíam
o fox-trote da véspera a pingar
da beiçola
E voltavam à noite:
o rei de copas denovo sentado entre os caixotes
Vergílio Alberto Vieira,
A Paixão das Armas
Certas fontes
Certas fontes moram nas mulheres
como em nenhum outro lugar
João Manuel Ribeiro,
TRAJECTÓRIA INCONSÚTIL DO DESEJO
como em nenhum outro lugar
João Manuel Ribeiro,
TRAJECTÓRIA INCONSÚTIL DO DESEJO
sábado, 18 de abril de 2015
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