Agora
que os espelhos são gentis
com os homens velhos
e com as mulheres gordas
nada me falta
aprender
senão
o que me possas ensinar.
Maria José Meireles
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Texto de opinião...
O tempo altera a forma como vemos e vivemos os acontecimentos...
De facto, o tempo pode mudar o mundo, pode mudar-nos a todos e a cada um de nós.
O tempo dá um fim a tudo à nossa volta e até a nós mesmos porque tudo acaba, tudo tem fim. Talvez esta não seja a melhor forma de olharmos para o tempo. Talvez pensarmos que tudo tem um fim nos limite assim como escrever um texto com um número de palavras definido, ou um limite de tempo onde temos de dar o nosso melhor ou então nos lembre de viver o agora intensamente.
Ora nos sentimos insatisfeitos com o tempo, ora nos sentimos cansados.
A angústia e a ânsia e viver, muitas vezes, quando somos mais novos, é mais intensa. Tudo à nossa volta é enorme e magnífico e no entanto o tempo pode mudar... Não que o tempo tire a magia, simplesmente ensina-nos a controlar a necessidade de viver tudo num momento. O tempo ensina-nos a aceitar o fim. Portanto, podemos dizer que o tempo amadurece.
Em suma, o tempo muda tudo o que está à nossa volta mas muda-nos essencialmente a nós e à forma como encaramos a vida e as situações que esta nos proporciona.
Vera Raquel Baptista Meireles
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
EU E MEU CAMPINA
(...)
Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.
Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi a amar a Deus
na vida dos animais.
Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.
(...)
Patativa do Assaré
Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.
Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi a amar a Deus
na vida dos animais.
Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.
(...)
Patativa do Assaré
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Flor sem nome
![]() |
| Rui Moura Baía - Ponte do Diabo (das Senhorinhas ou Gervásios) Misarela |
Das telas de luz
Apareces
Flor sem corpo.
Danças as palavras
E largas teu pólen
De mistério
Nas
Auroras da sedução!
Deixaste o casulo
Da redenção
E
Libertas-te na ilusão...
Ousas
Soltar o perfume
Aos sentidos
Que desconheces?
Ai de ti que
Desenrolas teus
Longos cabelos
Num corpo que não existe
Mas sente!
És em tuas pétalas
Todas as mulheres
Que jogam letras e números
Na tela da vida
E a magia gritante deste
Silêncio
Das estrelas
Cai todo no odor moreno
Da tua pele!
Arriscas o sorriso
Das tuas cores
Por um Sol que as arde...
Queres ir?
Rui Moura Baía
Tela...
Procuro agora
uma tela
em que possas caber
Dali, Pessoa e Freud
perfeita inexistência
edição rara
crime e castigo
num só
e não quero
subtrair-te
nenhuma parte.
Maria José Meireles
uma tela
em que possas caber
Dali, Pessoa e Freud
perfeita inexistência
edição rara
crime e castigo
num só
e não quero
subtrair-te
nenhuma parte.
Maria José Meireles
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Poema de Natal
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Um lírio e um mar de rosas...
Um lírio
e um mar
de rosas
uma rosa
e um mar
de lírios
um mar de rosas
e um mar de lírios
um lírio
e uma rosa.
Maria José Meireles
e um mar
de rosas
uma rosa
e um mar
de lírios
um mar de rosas
e um mar de lírios
um lírio
e uma rosa.
Maria José Meireles
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