sexta-feira, 3 de abril de 2020
PRIMAVERA!
Faz-me bem falar contigo
Enquanto ainda o consigo
Primavera, mesmo assim.
Enganadora no brilho
Desviada do bom trilho
Que me reservas, enfim?
Mas de ti, ó Primavera
Ainda fico à espera
Duma nesga d'esperança
Que durante o teu reinar
Tu me possas outorgar
Bons níveis de confiança.
Volta de novo ao bom trilho
Sem mechas e sem rastilho
Assume o teu esplendor!
Farás isso se, se quiseres
E o perfume que me deres
Virá envolto em amor.
Sem amor e sem saúde
A vida fica mais lúgubre
Nada ou pouco agradável
Lembra-te pois Primavera
O teu reino só impera
Se o tornares saudável.
Carmindo Ramos
Enquanto ainda o consigo
Primavera, mesmo assim.
Enganadora no brilho
Desviada do bom trilho
Que me reservas, enfim?
Mas de ti, ó Primavera
Ainda fico à espera
Duma nesga d'esperança
Que durante o teu reinar
Tu me possas outorgar
Bons níveis de confiança.
Volta de novo ao bom trilho
Sem mechas e sem rastilho
Assume o teu esplendor!
Farás isso se, se quiseres
E o perfume que me deres
Virá envolto em amor.
Sem amor e sem saúde
A vida fica mais lúgubre
Nada ou pouco agradável
Lembra-te pois Primavera
O teu reino só impera
Se o tornares saudável.
Carmindo Ramos
Coro das abelhas trabalhadeiras
É tão atarefada a nossa vida
É tão útil a nossa vida
Que dançamos desde o raiar do dia
De flor em flor, é uma vida sadia
O nosso uniforme é sempre igual
Preto e amarelo, grande visual
Obedecemos à rainha amada
Protegemo-la como uma armada
Não há ninguém que consiga
Fazer o mel ao som da cantiga
Aquele alimento que não estraga
É tão docinho, o palato não apaga
O prazer que sente quando o prova
Deixarmos de o fazer, uma ova.
A nossa labuta é diária
E nunca é precária
Temos liberdade de movimento
Voamos alegres com o vento
Procuramos as flores mais cheirosas
De tons vivos, muito airosas
A nossa colmeia é um templo
Que veneramos com exemplo
Trabalhamos em harmonia
Sem preguiça ou monotonia
Do trabalho sai o nosso alimento
Que cedemos com discernimento
Ao senhor que zela por nós
Desde o tempo dos seus avós.
Ana Paula Vaz Serra (28/03/2020)
É tão útil a nossa vida
Que dançamos desde o raiar do dia
De flor em flor, é uma vida sadia
O nosso uniforme é sempre igual
Preto e amarelo, grande visual
Obedecemos à rainha amada
Protegemo-la como uma armada
Não há ninguém que consiga
Fazer o mel ao som da cantiga
Aquele alimento que não estraga
É tão docinho, o palato não apaga
O prazer que sente quando o prova
Deixarmos de o fazer, uma ova.
A nossa labuta é diária
E nunca é precária
Temos liberdade de movimento
Voamos alegres com o vento
Procuramos as flores mais cheirosas
De tons vivos, muito airosas
A nossa colmeia é um templo
Que veneramos com exemplo
Trabalhamos em harmonia
Sem preguiça ou monotonia
Do trabalho sai o nosso alimento
Que cedemos com discernimento
Ao senhor que zela por nós
Desde o tempo dos seus avós.
Ana Paula Vaz Serra (28/03/2020)
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Liberta o éle
Liberta o éle de liberdade
Liberta o éle de lamentação
Éle de luxo e lealdade
Éle de livros e de lição.
E liberta o éle!
Liberta o éle de legitimidade
Liberta o éle de leilão
Éle de leitura e de leviandade
Éle de loucura e de locomoção.
E liberta o éle!
Liberta o éle de linha
Liberta o éle de loureiro
Éle de libélula e de libelinha
Éle de limão e de limoeiro.
E liberta o éle!
Liberta o éle de libertino
Liberta o éle de ligeiro
Éle de lobo e de lupino
Éle de lúbrico e de lambareiro.
E liberta o éle! E liberta o éle! E liberta o éle!
Ana Paula Vaz Serra (24/03/2020)
Liberta o éle de lamentação
Éle de luxo e lealdade
Éle de livros e de lição.
E liberta o éle!
Liberta o éle de legitimidade
Liberta o éle de leilão
Éle de leitura e de leviandade
Éle de loucura e de locomoção.
E liberta o éle!
Liberta o éle de linha
Liberta o éle de loureiro
Éle de libélula e de libelinha
Éle de limão e de limoeiro.
E liberta o éle!
Liberta o éle de libertino
Liberta o éle de ligeiro
Éle de lobo e de lupino
Éle de lúbrico e de lambareiro.
E liberta o éle! E liberta o éle! E liberta o éle!
Ana Paula Vaz Serra (24/03/2020)
quarta-feira, 1 de abril de 2020
Splash!
Todo o meu corpo é emoção
Quando oiço este fado
Meu coração fica espatifado
O que me salva é a união
Do meu povo, corajoso e capaz
Hercúleo nas ações
Nobre nas ambições
Alimenta uma cultura de paz
Ah, povo aventureiro
O teu sangue português
Provoca-me tal embriaguez
Para sempre será guerreiro.
Ana Paula Vaz Serra (21/03/2020)
Quando oiço este fado
Meu coração fica espatifado
O que me salva é a união
Do meu povo, corajoso e capaz
Hercúleo nas ações
Nobre nas ambições
Alimenta uma cultura de paz
Ah, povo aventureiro
O teu sangue português
Provoca-me tal embriaguez
Para sempre será guerreiro.
Ana Paula Vaz Serra (21/03/2020)
terça-feira, 31 de março de 2020
O antes e o depois...
O antes e o depois
Forma um conjunto de dois
Que ora temos pela frente.
Nunca houve nada assim
É um momento tão ruim
Nada como antigamente.
Trazem-nos o alimento
Para o nosso sustento
Com afeição, orgulhosos.
Mas...
Pousam-no fora da porta
Com amor, também importa
Assim era cos leprosos.
Contudo, sou felizardo
Para aliviar meu fardo
Da depressão actual
Dou voltas e contra-voltas
Bastante largas e soltas
Ao redor do meu quintal.
Faço-o no dia-a-dia
Sob o sol que m' alumia
Como quem anda à procura
De, no novo amanhecer
Alguma saúde ter
Para evitar a loucura.
Antes:
Cada dia que passava
Seis quilómetros andava
Sem esforço, com prazer
Agora:
Por força da circunstância
Pois, toda essa distância
Não mais irei percorrer.
Em casa:
Olho prás minhas plantas
São várias, não sei quantas
Escuto os passarinhos
Entendam estas verdades
Sinto imensas saudades
Dos abraços e beijinhos
Que minha filha e meus netos
Meus amores muito diletos
Primavam em nos trazer
E que agora, vejam só
Embora com muito dó
Não pode acontecer.
Quando muito, à distância
Atenta a importância
Do perigo que corremos.
E, no momento actual
O recurso ao virtual
É o melhor que faremos.
Um abraço fraternal
Para todos igual
Embora dado à distância
Unir-mo-nos nesta dor
Tem redobrado valor
E infinita importância.
Carmindo Ramos
Forma um conjunto de dois
Que ora temos pela frente.
Nunca houve nada assim
É um momento tão ruim
Nada como antigamente.
Trazem-nos o alimento
Para o nosso sustento
Com afeição, orgulhosos.
Mas...
Pousam-no fora da porta
Com amor, também importa
Assim era cos leprosos.
Contudo, sou felizardo
Para aliviar meu fardo
Da depressão actual
Dou voltas e contra-voltas
Bastante largas e soltas
Ao redor do meu quintal.
Faço-o no dia-a-dia
Sob o sol que m' alumia
Como quem anda à procura
De, no novo amanhecer
Alguma saúde ter
Para evitar a loucura.
Antes:
Cada dia que passava
Seis quilómetros andava
Sem esforço, com prazer
Agora:
Por força da circunstância
Pois, toda essa distância
Não mais irei percorrer.
Em casa:
Olho prás minhas plantas
São várias, não sei quantas
Escuto os passarinhos
Entendam estas verdades
Sinto imensas saudades
Dos abraços e beijinhos
Que minha filha e meus netos
Meus amores muito diletos
Primavam em nos trazer
E que agora, vejam só
Embora com muito dó
Não pode acontecer.
Quando muito, à distância
Atenta a importância
Do perigo que corremos.
E, no momento actual
O recurso ao virtual
É o melhor que faremos.
Um abraço fraternal
Para todos igual
Embora dado à distância
Unir-mo-nos nesta dor
Tem redobrado valor
E infinita importância.
Carmindo Ramos
O Gaticultor
Detesto que os adultos me perguntem
"O que é que queres ser?"
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver
"O que é que queres ser?"
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver
Com o meu porte altivo
Ignoro a curiosidade
De quem nada tem para fazer
Prefiro ficar introspetivo
Enquanto o campo cultivo
Pois é hoje meu afazer
Rasgo o ventre da terra
Com minhas garras desnudas
Planto as alfaces na Quinta da Serra
Desejando que cresçam bem bojudas
Os tomates já pintam
Rego-os mais uma vez
Mas tão árduas tarefas despertam
Mais uma soneca talvez
Então agora
De fininho vou embora
Deixo os adultos intrigados
Ainda mais desvairados
Pois só eu sei
O que naquele campo passei.
Ana Paula Vaz Serra (21/03/ 2020)
Ignoro a curiosidade
De quem nada tem para fazer
Prefiro ficar introspetivo
Enquanto o campo cultivo
Pois é hoje meu afazer
Rasgo o ventre da terra
Com minhas garras desnudas
Planto as alfaces na Quinta da Serra
Desejando que cresçam bem bojudas
Os tomates já pintam
Rego-os mais uma vez
Mas tão árduas tarefas despertam
Mais uma soneca talvez
Então agora
De fininho vou embora
Deixo os adultos intrigados
Ainda mais desvairados
Pois só eu sei
O que naquele campo passei.
Ana Paula Vaz Serra (21/03/ 2020)
segunda-feira, 30 de março de 2020
Letra proibida!
Os meus alunos são
Seres em formação
A eles estou sempre atenta
Na sala de aula nada me apoquenta.
Lá está a Helena
Com o braço acena
Sempre pronta a responder
Gosta mesmo de aprender
O Pedro quase não se nota
A sabedoria dele brota
Mas quando abre a boca
Largam todos a fofoca
A doce Lara é trabalhadora
Bastante atenta e encantadora
Responsável não há melhor
Nem parece uma menor.
Seres em formação
A eles estou sempre atenta
Na sala de aula nada me apoquenta.
Lá está a Helena
Com o braço acena
Sempre pronta a responder
Gosta mesmo de aprender
O Pedro quase não se nota
A sabedoria dele brota
Mas quando abre a boca
Largam todos a fofoca
A doce Lara é trabalhadora
Bastante atenta e encantadora
Responsável não há melhor
Nem parece uma menor.
Ana Paula Vaz Serra (21/03/2020)
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